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Mentir pra quê?

Mentir pra quê? Oras, você deve ter um monte de motivos para inventar uma idéia ou esconder algo de seus pais. Você também não é o único - e o último - adolescente do mundo a cometer esse pecado. Pesquisas comprovam: mentir faz parte da adolescência. Um estudo realizado por uma ONG americana dedicada ao comportamento jovem, publicada pela revista Veja Jovens, apontou o que seus pais e professores já desconfiavam. Os adolescentes mentem mesmo. E muito! De acordo com o levantamento, 92% dos jovens admitem ter mentido para os pais e 80% para o professor. A pesquisa ainda revela que 70% dos estudantes colam nas provas e 40% dos adolescentes disseram estar dispostos a mentir para conseguir um emprego. Dizer que um monte de caras pagaram pau para você na balada e que não quis ficar com ninguém. Confessar para a turma que você beijou um monte de meninas durante a viagem de férias. Quem já não se pegou contando uma mentirinha desse tipo?

Você pode até achar que historinhas como essas não fazem mal a ninguém. Mas, muitas vezes, aumentar uns pontos quando se conta um conto parece um recurso inevitável e muito comum. E aí é que está o perigo. Quando essas mentirinhas aparentemente inofensivas viram mania a sua moral pode ser colocada em risco. Mentir, às vezes, é um alívio para escapar do controle, da desconfiança e vigilância dos pais. Maria da Cunha Beltran, psicóloga e pedagoga, explicou que na adolescência as mentiras estão associadas à independência. "Mentir é sinal de crescimento. Porém, pode ser prejudicial quando se torna um vício", comenta Maria. Agora, quando mentir se transforma em mania."Não conseguir ficar sem mentir é sinal de insegurança, desejo de auto-afirmação e medo", alerta Maria.

Mentir, é claro, não faz o nariz crescer. Agora, a sua fama de mentiroso. Você pode perder a confiança e a cumplicidade das pessoas, inclusive de gente querida, como a sua família. Maria lembra que é preciso descobrir os motivos que podem estar por trás desse hábito. Mentir para os pais pode ser conseqüência de coisas mal resolvidas. Será que seus pais têm tempo para ouvi-lo? Há espaço para diálogo na sua casa? Maria ainda acrescenta que, seja lá qual for a causa, é preciso tentar se segurar. Caso contrário, você pode levar esse vício para a vida adulta. E pior: tornar-se um mentiroso e sem confiança no emprego, no amor e entre os amigos.

Alguns garantem conhecer os limites e os efeitos de não contar a verdade, já outros reconhecem que a atitude se transformou em hábito. Claúdia (15) disse que as "mentirinhas" são as únicas alternativas para conseguir liberdade. "Faço isso porque minha mãe me enche demais. Então digo que vou em um lugar, mas na verdade vou em outro. Mentir se transformou em um hábito", explicou. Claúdia não está sozinha.

Para Fred (15) existem situações em que dizer a verdade complica demais. "Não minto por maldade, é para poder ficar livre. Por exemplo, se a minha mãe pergunta se estudei, respondo que sim para ir jogar bola", confessou. Em relação aos seus rolos amorosos, Fred prefere manter a mesma postura: lei do silêncio. "Não conto porque ela vai ficar preocupada", justificou. Adriano (16) é a exceção dessa jogo de mentiras. "Tudo que faço conto para minha mãe. Prefiro abrir o jogo a ela descobrir depois. Também não costumo contar vantagens para meus amigos. Mentira tem perna curta", aconselhou.